Sobre


• Porto Imaginário •
Fotografia • Olhar • Tratamento de imagem


Observando certas urgências que vivemos hoje na cidade do Rio de Janeiro, sede para eventos importantes e internacionais, bem como espaço de luta entre forças hegemônicas e populares, observando também a nossa zona portuária, espaço já há muito tensionado pelas relações políticas e econômicas, um ambiente de trânsito para alguns e de permanência para outros, que é nosso caso. Observando ainda, a emergência da compreensão do sentido de cidadania, já que é este que nos traz a ideia de presente. Estar presente, ser presente e fazer acontecer o presente. Enfim, foi observando tudo isso e me inspirando nas viagens de Marco Polo, no “Cidades Invisíveis” de Ítalo Calvino, no trabalho em conjunto do fotógrafo Gabriel Rinaldi e do fotodesigner Fujocka [1], que criei um projeto para nossxs estudantes que declararam uma vez em sala de aula: "nós pertencemos à cidade, mas ela não nos pertence".

A ideia principal foi que xs alunxs possam criar a sua própria cidade, ou melhor, a sua própria zona portuária. Xs estudantes foram divididos em grupos, cada qual com alunos dos dois cursos, Tratamento de Imagem e Fotografia e pensaram como eles gostariam de ver esse lugar.

Xs estudantes começaram a tomar posse daquele entorno, esboçando uma gestão urbana e, portanto, elaborando o exercício da cidadania. Esse projeto se realizou por uma série de etapas: pesquisas, deriva criativa in loco, mapeamentos, mas uma das mais importantes foi quando eles foram às ruas do porto realizar o trabalho de Fotojornalismo direcionado pelo professor de Fotografia Alexandre Torreão que impulsionou aos alunos a conversarem com as pessoas que passavam, trabalhavam e transitavam pelo lugar, produzindo retratos das mesmas.

Suas ideias tomaram ainda mais corpo depois dessas conversas que xs estudantes registraram com seus celulares e puderam escutar inúmeras vezes. Após enfim elaborarem uma abordagem para os trabalhos, os alunos começaram a transformar em imagens tudo aquilo que imaginavam com o auxílio da professora de Tratamento de Imagem, Sônia Peyroton. E se depararam com um grande desafio a ser realizado em pouquíssimo tempo, mais especificamente, duas semanas.  Tiveram que aprender a desapegar de algumas ideias e fortalecer outras e esse foi outro grande aprendizado.

Para fazer esse trabalho, xs estudantes precisaram olhar para zona portuária com mais atenção, entender seus aspectos políticos, econômicos, históricos e geográficos para fazer um trabalho mais reflexivo e menos estereotipado. Além disso, tiveram o desafio de aprender a trabalhar em equipe e com as diferenças que cada grupo apresentava.


A ideia é que esse trabalho tenha um retorno para a população. Portanto em cada lugar, principalmente aqueles que foram perspectiva-matéria para cada trabalho, tem um lambe-lambe com um qrcode que leva o transeunte à imagem produzida e ao projeto. Adesivos e mais lambe-lambes também foram espalhados pela zona e pela cidade com o qrcode e com a frase: SEU PORTO. Que é o nome de uma das abas do blog. Nesta, o público transcende a sua função de espectador e agora passa a fazer um esforço de imaginar como gostaria de ver a Zona Portuária do Rio de Janeiro. A ideia é que esse projeto possa crescer ainda mais com as respostas do público.




Carina d’ Ávila
Professora de Olhar





[1] Essa inspiração surgiu em sala de aula, quando a turma fazia uma leitura coletiva da matéria Cidades Imaginárias, escrita por Gustavo Fioratti, da Revista Select (ano 05/edição 23, Editora Três), uma dinâmica que faz parte da disciplina, a cada edição da revista. Na matéria, xs estudantes conheceram o projeto desenvolvido por Alexandre Delijaicov e Fujocka que criaram uma imagem imaginando como seria São Paulo com seu sistema hídrico recuperado. Já esse projeto é inspirado em outro chamado Metrópole Fluvial, desenvolvido por Alexandre Delijaicov na FAU-USP.


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