O porto é a porta
Tratamento de Imagem
Jhenifer da Silva
Fotografia
“Eu to chegando dos Estados Unidos e indo para Minas Gerais. (...)
Tem muita coisa para ser construída aqui, renovar os prédios antigos..
O que falta é segurança, a violência é grande. (...) O Rio de Janeiro é lindo,
mas eu tenho medo.”
Tem muita coisa para ser construída aqui, renovar os prédios antigos..
O que falta é segurança, a violência é grande. (...) O Rio de Janeiro é lindo,
mas eu tenho medo.”
Maria da Conceição
| a n t e s |
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As pessoas que circulam pela Zona Portuária do Rio de Janeiro passam por um caos constante, o trânsito é o que mais dificulta o acesso e, também, a saída para outros lugares.
As calçadas não passam nenhuma segurança, há uma grande quantidade de buracos com mau nivelamento e sem sinalizações.
O Rio Maracanã, localizado na Rua
Francisco Bicalho, está em péssimas condições, o odor que vem de lá é
insuportável e, novamente, não passa nenhuma segurança.
”Passei aqui e pra mim, tudo está
bem, só falta a segurança”. Dorival Santana (30 anos,lanterneiro).
As opiniões, tanto dos visitantes
quanto dos moradores das redondezas da Zona Portuária não divergem tanto, ambos
focaram bastante na ausência de segurança, qualidade de transporte público e
não veem a hora das obras terminarem e ficarem, como ambos desejam, um lugar bonito,
acessível, de muita afetividade e interação.
“Estou indo pra Niterói a trabalho, aqui é uma região que está sendo renovada já faz um bom tempo, necessita de uma revitalização, se eu fosse prefeito faria isso, pois temos grande quantidade de turistas no porto e o transporte público é irregular, péssimo.” – Carlos César Rangel ,(39 anos ,administrador).
“Sou escalador por hobby, vim ao Rio para escalar, acho que o trânsito tem que melhorar e se eu fosse prefeito reformaria a Zona portuária, principalmente o trânsito e a segurança” – André,(35 anos ,estudante de direito).
O que as pessoas que transitam por aqui esperam não é nada extraordinário. Mas que, no momento em que nosso país vive e na forma como é governado, se torna difícil. O que causa essa falta de segurança que todos dizem e vivem?
Na rodoviária existe um grande fluxo de pessoas. Mas as ruas ao seu redor não. As ruas são vazias porque é perigoso ou as ruas são perigosas porque são vazias?
“Eu acho que aqui é uma área que está um pouco caída, eu faria centros culturais e cinemas, procuraria intervenção de artistas, teatros de rua, acho que seria interessante, o trânsito normalmente é bem parado” – Daniel Diogo,(20 anos ,gerente em empresa de eventos,estudante de engenharia civil).
O que faz falta são pontos culturais, movimentos que cheguem para acrescentar de forma positiva, e não para dificultar mais ainda o trânsito da Zona. Falta policiamento. Falta acessibilidade. A rua é para todos, o porto e a cidade são para todos. Mas nem todos conseguem andar por aqui.
“Há pouco espaço na Zona, muitas pessoas indo e vindo. Acho que a rodoviária nem deveria ser aqui, deveria ser em São Paulo, o centro não é um lugar preparado para suportar tanta gente”- Ernesto.
O porto é a porta de entrada para a
cidade. Se ele não funciona, a cidade para.
Mediante ao que a Zona Portuária vive atualmente, o presente projeto buscou intervir na cidade com uma proposta que pudesse atender as necessidades do local. O nosso projeto focou na circulação das pessoas pela area, limpeza e preservação do meio ambiente.
Observamos e tivemos como objetivo maior no trabalho a necessidade da purificação do rio Maracanã, com o intuito de retornar a fauna e flora antigamente presente, além de possibilitar a interação das pessoas com o novo ambiente que a limpeza no rio iria proporcionar.
Para tal, seria necessário a plantação de árvores e a despoluição do rio, a fim de atrair vida animal para o rio e o entorno. A integração com as pessoas que transitam pela Zona se daria pela criação de uma plataforma construída sobre o rio, feita de vidro e aço.
A plataforma de vidro promoveria uma nova experiência, uma vez que possibilitaria o acesso e circulação de pessoas pelo local. Além da nova estética presente, a plataforma seria funcional. No centro, estaria localizado um quiosque, o qual funcionaria como um ponto de vendas. A plataforma também proporcionaria o acesso das pessoas ao rio, através de atividades lúdicas, como o uso de pedalinhos que estariam localizados em um píer projetado, também feito de vidro e aço, dando a possibilidade as pessoas para que circulem pelo rio e desfrutem da nova ambientalização do local.
Além das transformações citadas, o nosso projeto também focou nas questões do entorno, como o trânsito. Focamos em diminuir o fluxo de carros na cidade, por isso implantamos ciclovias ao redor do rio e uma nova estação de teleférico que liga a Rodoviária até a Central do Brasil, e também o acesso de um Centro Cultural próximo a Rodoviária, que funcionará como teatro, cinema, restaurante, galeria e principalmente um local para intervenções artísticas.
Podemos pontuar bons tópicos aprendidos com esse projeto. Inicialmente foi necessária a visão de todos focada em melhorias da área da Zona. Pensamos, detalhadamente em como atender as necessidades gritantes e incrementar propostas de fato importantes, em seguida buscamos melhorar o ambiente, para que se tornasse algo mais convidativo, confortável e bonito. Aprendemos a pensar no próximo e a valorizar a opinião de cada um; aprendemos a procurar soluções ao invés de nos concentrar na negatividade; acima de tudo aprendemos a observar com mais atenção o que vemos em nosso cotidiano, tendo um olhar além da observação, um olhar focado na compreensão do espaço. Aprendemos a “pensar com os olhos”, e carregaremos conosco esta habilidade.
Esperamos que futuramente esse projeto possa ser estudado e repensado para que ele um dia possa de fato acontecer, afinal, só traria benefícios a sociedade em que vivemos.

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